Quarta, 10 de janeiro de 2018, 15h36
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Opinião

O PSDB, PT, PMDB e os anos 90

O cenário atual demonstra que a educação não foi prioridade para nenhum governo nas últimas décadas

Brasil passa atualmente por uma inversão da pirâmide etária, essa mudança é proporcionada devido à redução da taxa de natalidade e significa o começo de um processo de envelhecimento da população.

A geração que marca o início dessa inversão é chamada de geração do bônus demográfico, e esse bônus traz com ele desafios e oportunidades incríveis para o país.

A geração do bônus demográfico no Brasil é a minha geração (nasceu nos anos 90). Fomos a maior geração de crianças, somos a maior geração de jovens, e seremos também a maior geração de idosos do Brasil.

Durante o período que essa geração estiver em idade produtiva ativa, o país terá uma força de trabalho incrível, agora isso pode ser um ponto muito positivo ou um grande problema social.

A geração do bônus demográfico precisava ter tido acesso a uma educação de qualidade e universal, mas não tivemos. Infelizmente no nosso país ainda existe analfabetismo infantil e muitos jovens nem sequer chegaram a terminar o ensino médio.

Também não temos acesso a credito a baixo custo, já que por aqui as taxas de juros são altíssimas, fato que dificulta o empreendedorismo e outras coisas fundamentais, como acesso à moradia própria.

Com o término do ano de 2017 todas as crianças da década de 90 estão agora com idade entre 18 e 27 anos, ou seja, estamos todos chegando ou já estamos no mercado de trabalho.

Além do cenário de crise econômica, outro desafio do Brasil é o chamado desemprego estrutural que é quando se tem uma vaga de emprego, mas não se tem a pessoa qualificada para o posto, essa situação afeta tanto o empreendedor que não consegue contratar, como o cidadão que não consegue emprego por ainda não possuir a qualificação adequada, e, por fim, afeta o Estado, que precisa dar resposta ao problema social gerado em parte por ele mesmo

Para mudar esse quadro é preciso investir em educação e em qualificação profissional, é preciso também possibilitar acesso ao crédito de baixo custo para o cidadão comum, precisamos fortalecer as políticas de Estado de controle de natalidade, e, é lógico, nossa juventude precisa ter cada vez mais voz.

A situação atual dos jovens do Brasil é resultado de governos que pouco fizeram para proporcionar as condições de desenvolvimento necessário para a geração do bônus demográfico e para o país.

Poderíamos ter feito como outros países que investiram fortemente na educação e na qualificação dos jovens e, com isso, tiveram resultados fantásticos.

O cenário atual demonstra que a educação não foi prioridade para nenhum governo nas últimas décadas, existiram os que investiram um pouco mais e outros um pouco menos, houve avanços, mas nenhum dos governos que passou fez a verdadeira transformação na educação de que este país precisa.

Perdemos muitas oportunidades, mas quantas mais nosso país irá jogar fora?

CAIUBI KUHN é geólogo, mestre em Geociências pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).



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