Sexta, 14 de julho de 2017, 13h30
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Judiciário / GRamPOLÂNDIA PANTANEIRA

"Ofício do MPE foi uma tentativa de intimidação aos delegados", diz Stringueta

Curvo teria encaminhado ao delegado o ofício nº 2332/2017 com a data do dia 6 de julho pedindo para que Stringueta enviasse para o Ministério Público Estadual (MPE) cópia dos documentos que tratam das investigações dos grampos ilegais em Mato Grosso



O delegado de Polícia Civil, Flávio Stringueta, disse que recebeu um ofício confidencial do procurador-geral de Justiça, Mauro Curvo, como uma tentativa de intimidação contra os delegados.

 

Curvo teria encaminhado ao delegado o ofício nº 2332/2017 com a data do dia 6 de julho pedindo para que Stringueta enviasse para o Ministério Público Estadual (MPE) cópia dos documentos que tratam das investigações dos grampos ilegais em Mato Grosso.

 

Stringueta foi designado pelo desembargador, Orlando de Almeida Perri, para presidir as investigações. Curvo teria estipulado o prazo de 24 horas para a entrega dos documentos caso contrário, acusaria o delegado de ter cometido o crime de usurpação e improbidade administrativa.

 

“Foi me trazido o ofício de forma confidencial. Nós ficamos bastantes assustados, se não consternados. Porque o procurador-geral de Justiça que tem falado em vários canais que é a favor da investigação e nesse ofício ele demonstra claramente que é ao contrário essa continuidade dessa investigação. Fui nomeado delegado especial para atuar em uma investigação por determinação de um desembargador de Justiça. Quando recebi o ofício e verifiquei que o Mauro Curvo me sugere o cometimento de crime, como usurpação de função pública e improbidade eu fiquei extremamente assustado diante de uma inexistência completa de fato típico referente a esses crimes por ele atribuídos. Seria algo que nem mereceria uma resposta deste delegado, mas já que o ofício vazou. Em nenhum momento delegado de polícia atuou em dissonância com a Legislação Pátria. Está atuando por determinação. O ofício foi uma tentativa de intimidação dos delegados que estão tentando trazer a verdade a sociedade”, disse.

 

O delegado negou que tenha encaminhado as informações para Curvo. “Jamais faria isso. Devo satisfação ao Judiciário e encaminhei isso ao Judiciário, o texto do Mauro Curvo para que o desembargador Perri analise o ofício”.

 

Testemunha

 

Ele ainda comentou sobre o testemunho de uma das grampeadas ilegal, Tatiane Sangali. 


“Nós ouvimos ela que é uma peça chave em vários procedimentos. Ela trouxe informações muito esclarecedoras. Inclusive do Paulo Taques em alguns fatos. Não posso entrar muito em detalhes porque está em sigilo, mas posso garantir que trouxe esclarecimentos de que tem participação do Paulo Taques nos grampos. Inclusive a trama contra a vida do governador não existia esse risco. No início das gravações da Tatiane Sangali foi em outubro de 2014, não existia o risco contra a figura do governador, até porque ele não era governador. O inquérito instaurado pelo GCCO demonstra que o Paulo tinha um relacionamento com a Tatiane”, finalizou.

 

Entenda o caso

 

As investigações dos grampos ilegais no Tribunal de Justiça foram instauradas a partir de uma notícia/crime interposta pela Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional Mato Grosso (OAB-MT), após vir à tona uma denúncia do então secretário de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso, Mauro Zaque, a Procuradoria-Geral da República, dando conta de que o governador Pedro Taques tinha conhecimento do caso e nada fez.


Mauro Zaque denunciou que jornalista, juízes, advogados e parlamentares teriam sido monitorados de forma ilegal.


O caso foi distribuído ao desemabargador Orlando Perri, que quando da instauração da apuração dos fatos, enviou a representação a Procuradoria-Geral de Justiça.


Ele incluiu também a OAB-MT como interessante/noticiante aos autos, autorizando o acompanhamento das investigações e requerimento de diligências para a elucidação dos fatos criminosos.


Prisões


Desde então seis oficiais da PM e dois praças foram presos.


No dia 23 de maio, o juiz Marcos Faleiros determinou a prisão do coronel Zaqueu Barbosa, ex-comandante da PM e do cabo Gerson Luiz Correa Júnior.


No último dia 23, Perri determinou a prisão do secretário afastado da Casa Militar, Evandro Lesco e do secretário-adjunto, Ronelson Barros, coronel Januário Antônio Edwiges Batista, comandante do 4º Batalhão da PM em Várzea Grande e o cabo Euclides Luiz Torezan, que estava cedido ao Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco).


O corregedor-geral da Polícia Militar, coronel Alexandre Correa Mendes e o diretor de inteligência tenente-coronel Victor, Paulo Fortes Pereira, também foram presos, acusados de vazar informações sigilosas sobre o caso, mas já estão em liberdade.


Arquivamento de processo


O MPE pediu o arquivamento do processo que investiga os grampos no TJ, com o argumento de que não seria competência do Poder Judiciário investigar o caso.


No pedido interposto pelo órgão ministerial, ainda foi destacado, que a OAB formolou a notícia-crime de forma equivocada e que ela não poderia ter acesso aos autos.


Contudo, na sessão de julgamento desta quinta-feira (14), o relator do processo, desembargador Orlando Perri, decidiu em não acolher o arquivamento.


O voto foi seguido pelos demais desembargadores membros do Pleno.



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